Mesmo quando os suportes materiais da memória são destruídos, o imaginário de um povo contribui para que se reascenda a história e seus principais protagonistas não caiam no anonimato. A memória é povoada de nomes e segundo o antropólogo Jan Van Sinna o ponto mais alto e pleno de sentido, no núcleo da historia,é o nome próprio no qual os eventos se concentram e se perpetuam. E o nome segue seu curso no mundo oral, os efeitos de uma pessoa se perpetuam na transmissão oral do significado do seu nome. Assim estão marcado os educadores que transformaram a vida dura dos sertanejos numa possibilidade de mudanças e pelas suas mãos novas realidades foram edificadas.
Dentre os nomes da história mais recente temos o padre mestre Ibiapína que abandonou o exercício da magistratura para exercer o sacerdócio no sertão. Seu apostolo do sertão castigado pela seca e pela cólera deu origem às formosas casas de caridade no sertão da Paraíba e do Ceará que serviam de escola e abrigo para os órfãos, de escola para as filhas do fazendeiro e de cooperativa para os artesãos e produtores de tecidos. Construíram em suas andanças açudes, poços consertou igrejas e revestiu o sertão de uma atmosfera mais humana. Como discípulo, teve o padre Inácio de Souza Rolim que fundou o colégio que deu origem a cidade de Cajazeiras e foi professor do padre Cícero Romão. Ambos poderiam ter optado pelas capitais, por serem professores no Colégio Pedro II ou no seminário de Olinda, mas o rebanho sofrido dos sertanejos precisava de seu pastoreio.
Seguindo os mesmos passos, o jovem padre Raimundo Osvaldo Rocha escolheu como universo de sua pratica o sertão do Rio Grande do Norte. Preocupado com a educação e não encontrando apoio em seu estado, foi buscá-lo na Paraíba e não por coincidência, mas por profecia, encontrou na Fundação Padre Ibiapina o apoio à criação do antigo Ginásio Comercial Luis Gomes. Por anos o rubro-negro e o signo “Nego” da bandeira paraibana estiveram presentes na dinâmica da história do que considera sua maior obra: O colégio. Como novo Ibiapina, viu na educação a forma de conduzir os sertanejos a resistência, a buscar novos roçados pela preparação profissional por meio dos cursos técnicos e profissionalizante que criou. O ensino era embalado por suas aulas de filosofia e francês. Assim, excelentes profissionais estão hoje espalhados pelo país e puderam encontrar novos caminhos longe da única opção de sobrevivência que possuíam: a incerteza da safra. Professor universitário, ajudou na criação dos primeiros cursos do Campus de Pau dos Ferros, onde lecionou latim e filosofia,porém sem nunca abandonar o sertão oestano e a cidade de Luis Gomes que adotou como sua Terra prometida.
Seu nome ser perpetuará na memória do seu povo. Suas ações são símbolos de resistência e coragem e em seus feitos, o sertanejo poderá reconhecer, como diz a historiadora Angélica Hoffler, em seu próprio ambiente, a capacidade de vencer a morte e se refazer a cada nova gota de chuva, que apesar de pequena,tem uma capacidade transformadora indescritível.
Ciro Leandro
Mestre em letras, membro do Museu de Cultura Sertaneja (UERN/CAMEAM) e pesquisador de historia oral e memória cultural.
Portal MGR, 27 de Abril de 2012
Por: Gilberto Silva. Informações: Site Serra de Luis Gomes (RN)
Via: Portal AFolha.
Por: Gilberto Silva. Informações: Site Serra de Luis Gomes (RN)
Via: Portal AFolha.






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