Não fosse o atraso, Raimunda Maria, de 45 anos, não precisaria
tomar água barrenta. Sem ele, o atraso, a população da cidade de Luís
Gomes, encravada no Alto Oeste potiguar a cerca de 50 quilômetros de Pau
dos Ferros, não viveria sob o constante racionamento de água. Nem mesmo
Auxiliadora Rego e demais moradores do bairro Riacho do Meio teriam de
conviver com torneiras secas todas as semanas. Esses personagens se
juntam a um contingente de mais de 200 mil pessoas, todos à espera da
conclusão da Adutora do Alto Oeste, prometida como bálsamo para a falta
de água na região.
Os recursos da União foram inteiramente liberados para o Governo do Estado, ao mesmo tempo em que o convênio com o Ministério da
Integração
terminou - ou deveria ter terminado - no último dia sete de julho.
Mesmo com o recebimento integral dos recursos e três meses depois do
prazo estabelecido, a adutora do Alto Oeste permanece promessa. Segundo
informações do Ministério da Integração, foi concluído 81% da obra
física. Não há impedimentos por parte da União para que a obra continue.
Ainda assim, a inércia. "As obras foram paralisadas pelo Governo do
Estado, por motivo administrativo no âmbito estadual", disse o
Ministério, por meio de sua Assessoria. A Secretaria Estadual de Meio
Ambiente e Recursos Hídricos afirmou que a paralisação é devida a uma
investigação da Controladoria-geral da União. Enquanto isso, a
necessidade dos municípios do Alto Oeste é, como se diz, para "antes de
ontem". A situação mais complicada é a do município de Luís Gomes, onde,
por falta de mananciais suficientes, a Caern é obrigada a fazer um
racionamento. Os bairros são abastecidos de forma alternada e a
qualidade da água é sofrível. Até mesmo em Pau dos Ferros, maior cidade
daquela região, há falhas ocasionais no abastecimento.
A cor da água consumida por Raimunda Maria e seus três netos depende do dinheiro disponível. Se a semana é farta, compra-se água mineral. Água clara, limpa, boa para o consumo. Mas se há escassez e Raimunda Maria não vê a "cor" do dinheiro, a água escurece. Com o Açude Lulu Pinto praticamente vazio, a água recebida nas casas do município de Luís Gomes está a um passo de se tornar lama. Água escura, suja, imprópria para o consumo, segundo a Prefeitura de Luís Gomes. "A única forma de resolver isso é com a adutora do Alto Oeste. Como não há previsão, queremos trazer água dos arredores, mas até para isso precisamos da ajuda doGoverno do Estado", diz o prefeito Dr. Tadeu (PSB).
A escassez não afeta somente o cotidiano das pessoas. Além da necessidade básica e imediata de beber água, fazer comida, lavar pratos, roupas e demais afazeres domésticos, a construção de casas populares está praticamente parada. O empresário Joarismar Sobreira iniciou nos primeiros meses do ano a construção de 20 casas populares. Não conseguiu terminar. A obra anda a passos lentos porque não há água para misturar a massa. "Tudo na construção civil leva água, então fica impossível construir", diz. Cerca de 80 pessoas têm os empregos ameaçados pela possível paralisação total das obras.
Em Pau dos Ferros, a situação não é tão preocupante. Mas incomoda. Que o diga Auxiliadora Rego, funcionária pública e moradora do bairro Riacho do Meio. Por ali, é impossível ter água na torneira o dia inteiro. A oferta é instável, oscila durante todo o dia. Os moradores, conformados, utilizam cisternas, caixas d´água, tambores e o que mais estiver à mão para armazenamento. "Começo a estocar água na segunda, porque há vezes onde não vem água por aqui a semana inteira", reclama.
Pau dos Ferros e Luís Gomes estão na rota da Adutora do Alto Oeste. Outras 24 cidades serão beneficiadas, num investimento de R$ 136 milhões.
TCU investigou superfaturamento
Antes
de ser paralisada, a obra da Adutora do Alto Oeste foi questionada pelo
Tribunal de Contas da União. Em junho do ano passado, a adutora foi
incluída em uma espécie de "lista negra" do TCU. Eram as obras do
Programa de Aceleração do Crescimento com suspeita de estarem
superfaturadas. O primeiro acordão do TCU determinou multa para o então
governador Iberê Ferreira e o secretário estadual de Meio Ambiente,
Lázaro Mangabeira. Além disso, o TCU decidiu pela diminuição de R$ 4,9
milhões no total de R$ 68 milhões referentes ao contrato com a
construtora EIT Engenharia.
A decisão, contudo, não perdurou. Em dezembro do ano passado, os ministros do TCU decidiram em colegiado não aplicar as penalidades previstas anteriormente. O Tribunal acatou a argumentação da EIT. A construtora se manifestou dizendo que o preço avaliado pelo TCU não continham os custos com a logística e o transporte do material necessário para a construção da adutora. Dessa forma, o TCU voltou atrás na aplicação da multa e na diminuição do valor global da obra.
Os recursos da União foram inteiramente liberados para o Governo do Estado, ao mesmo tempo em que o convênio com o Ministério da
A cor da água consumida por Raimunda Maria e seus três netos depende do dinheiro disponível. Se a semana é farta, compra-se água mineral. Água clara, limpa, boa para o consumo. Mas se há escassez e Raimunda Maria não vê a "cor" do dinheiro, a água escurece. Com o Açude Lulu Pinto praticamente vazio, a água recebida nas casas do município de Luís Gomes está a um passo de se tornar lama. Água escura, suja, imprópria para o consumo, segundo a Prefeitura de Luís Gomes. "A única forma de resolver isso é com a adutora do Alto Oeste. Como não há previsão, queremos trazer água dos arredores, mas até para isso precisamos da ajuda doGoverno do Estado", diz o prefeito Dr. Tadeu (PSB).
A escassez não afeta somente o cotidiano das pessoas. Além da necessidade básica e imediata de beber água, fazer comida, lavar pratos, roupas e demais afazeres domésticos, a construção de casas populares está praticamente parada. O empresário Joarismar Sobreira iniciou nos primeiros meses do ano a construção de 20 casas populares. Não conseguiu terminar. A obra anda a passos lentos porque não há água para misturar a massa. "Tudo na construção civil leva água, então fica impossível construir", diz. Cerca de 80 pessoas têm os empregos ameaçados pela possível paralisação total das obras.
Em Pau dos Ferros, a situação não é tão preocupante. Mas incomoda. Que o diga Auxiliadora Rego, funcionária pública e moradora do bairro Riacho do Meio. Por ali, é impossível ter água na torneira o dia inteiro. A oferta é instável, oscila durante todo o dia. Os moradores, conformados, utilizam cisternas, caixas d´água, tambores e o que mais estiver à mão para armazenamento. "Começo a estocar água na segunda, porque há vezes onde não vem água por aqui a semana inteira", reclama.
Pau dos Ferros e Luís Gomes estão na rota da Adutora do Alto Oeste. Outras 24 cidades serão beneficiadas, num investimento de R$ 136 milhões.
TCU investigou superfaturamento
A decisão, contudo, não perdurou. Em dezembro do ano passado, os ministros do TCU decidiram em colegiado não aplicar as penalidades previstas anteriormente. O Tribunal acatou a argumentação da EIT. A construtora se manifestou dizendo que o preço avaliado pelo TCU não continham os custos com a logística e o transporte do material necessário para a construção da adutora. Dessa forma, o TCU voltou atrás na aplicação da multa e na diminuição do valor global da obra.
Portal MGR, 09 de Outubro de 2011
Por: Gilberto Silva. Informações: Tribuna do Norte .
Via: Blog do JP.
Por: Gilberto Silva. Informações: Tribuna do Norte .
Via: Blog do JP.





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