Moradores do município de Luis Gomes (450 km de Natal) estão sofrendo há
139 dias com a falta de água nas torneiras. O problema ocorreu depois
que o único manancial que abastece o município, o açude dona Lulu Pinto,
secou. Eles se queixam de que os caminhões-pipas, que trazem água
diariamente enviados pela Caern (Companhia de Águas e Esgotos do RN)
para minimizar os transtornos, não são suficientes para atender a todos,
que se veem obrigados a comprar água a preços exorbitantes, que chegam a
R$ 350 por mês.
Há pouco mais de quatro meses, a cena de mulheres, homens e até crianças
carregando baldes com água tornou-se rotina no município, que tem 9.610
habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística). De acordo com moradores, nos últimos três meses choveu
pouco no município, e a água da chuva não foi suficiente para manter o
açude com água, que fica a 5 quilômetros do centro da cidade.
“O que tem lá no açude é um lamaçal que secou, e mesmo com a chuva não
juntou nenhuma água”, disse a dona de casa Maria Anaída Silva, 40, que
estava na tarde desta quarta-feira (14) de prontidão esperando o
caminhão-pipa chegar com água. Segundo ela, quem não vai cedo aos pontos
de distribuição não consegue pegar água. Sem condições financeiras de
comprar água de terceiros, ela conta que acorda ainda na madrugada para
ser uma das primeiras da fila para conseguir pegar água do caminhão-pipa
da Caern, “que chega às 5 horas da manhã”.
“Quando terminamos de carregar os baldes num carro de mão já é hora de
voltar para marcar o lugar na fila novamente para pegar água do caminhão
que chega à tarde. Não tenho condições financeiras de comprar água de
terceiro, e só a misericórdia de Deus para nos ajudar”, disse a dona de
casa, que mora com o marido e o filho.
Reaproveitamento
Se as donas de casa já economizavam água para ajudar a baixar o
orçamento, agora estão obrigadas a racionar até a última gota de água do
dia ao realizarem os afazeres domésticos. O morador Ananias Vieira da
Silva, 50, diz que na casa dele se tornou “lei” tentar reaproveitar a
água ao máximo que puder e também mudou a rotina com a troca de roupas.
Silva contou que agora usa mais vezes uma única roupa antes de lavá-la,
além de reaproveitar a água do enxágue das roupas nos banheiros da
casa. “A situação está muito difícil e já não aguentamos mais viver
assim. Quem tem condições, compra água. Quem não tem peregrina para
conseguir um balde do caminhão-pipa”, afirmou.
Ele e a família de quatro pessoas gastam 5.000 litros de água por mês e
agora têm de desembolsar cerca de R$ 250 para não ficarem
desabastecidos. O estouro no orçamento da pedagoga Cláudia Maria Vieira
de Morais Gonçalves, 40, pegou a família de surpresa. Ela conta que
desde que não tem mais água fornecida pela Caern gasta dez vezes mais
com a compra de água.
“Aqui em casa somos quatro pessoas, sendo duas crianças, e mesmo
economizando ao máximo estamos gastando muito dinheiro com água. Antes
pagávamos entre R$ 27,00 e R$ 30,00 com a conta da Caern e agora
gastamos uma média de R$ 300,00 a R$ 350,00 por mês. O valor é
exorbitante, mas não temos como viver sem água”, disse.
Cláudia cobrou uma solução da Caern para a situação porque, segundo
ela, ninguém consegue manter esse alto custo com a compra de água até o
próximo inverno, quando as chuvas voltarem a encher o açude. “Estamos
tomando um prejuízo por falha da Caern, pois é inadmissível termos
apenas uma fonte de água na cidade. Temos uma adutora que seria a
solução do problema, mas está com a obra parada. Sei que a companhia não
vai nos ressarcir desse prejuízo que estamos tomando agora”, afirmou
Cláudia.
MP cobra solução
A falta de abastecimento de água em Luis Gomes levou o MP (Ministério
Público Estadual) elaborar uma ação civil pública com pedido de tutela
antecipada quando completou 100 dias sem água nas torneiras de Luis
Gomes. O MP deu o prazo de seis meses para que a Caern resolva o
problema em definitivo “permitindo a retomada, de forma contínua e
ininterrupta, do fornecimento de água tratada encanada nas torneiras das
residências.”
A reportagem do UOL entrou em contato com a Caern e,
por meio de nota, a companhia informou que a Semarh (Secretaria Estadual
do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos) e a companhia reconhecem o
problema da falta de água em Luis Gomes, mas atribuem o problema à
estiagem, acabou secando o açude Lulu Pinto. A companhia destacou que
emergencialmente instalou 18 reservatórios com capacidade para armazenar
ao todo 180 mil litros de água por dia. Também são disponibilizados 11
caminhões-pipa - quatro da Caern e do Exército para abastecer
diariamente os reservatórios.
A água trazida para Luis Gomes nos caminhões-pipa é captada no
município de Rafael Fernandes, a 40 quilômetros. A Caern destacou ainda
que “espera que as chuvas previstas para este ano abasteçam o açude com o
volume de água suficiente para que o produto volte às torneiras das
casas.”
A nota destaca ainda que outras ações estão ocorrendo em paralelo para
também minimizar o problema. A Caern e a Semarh informaram vão perfurar
seis poços no município, mas sem data para iniciarem os trabalhos. A
companhia informou ainda que outra ação será o desassoreamento do açude
para que aumente a capacidade de armazenamento de água.
Segundo a Caern, “a solução definitiva para a cidade de Luís Gomes virá
com a retomada das obras do sistema adutor Alto Oeste, prevista para
este semestre.” A obra é de responsabilidade da Semarh e foi paralisada
por falta de recursos. A Caern não informou se existem outros municípios
no Rio Grande do Norte com o mesmo problema da falta de água como
ocorre em de Luis Gomes.
Portal MGR, 16 de Março de 2012
Por: Hewerton Costa - Informações: Aliny Gama Do UOL, em Maceió
Por: Hewerton Costa - Informações: Aliny Gama Do UOL, em Maceió






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