Enquanto o mundo vive uma séria crise financeira, o Brasil atravessa a
sua mais séria crise na história deste país, a da credibilidade. Não
acreditamos nos políticos. Não acreditamos nos governantes. Não
acreditamos no Governo e como, também, não acreditamos nas instituições,
consequentemente, não acreditamos no Estado.
Em meio a essa sucessiva e, aparentemente, interminável divulgação de
fatos extremamente graves que evidenciam a corrupção nos três poderes da
República, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou uma
pesquisa, que nos mostra que a falta de confiança em policiais no Brasil
só perde para o Congresso Nacional e partidos políticos e que, na Bahia
e em outros estados, mais da metade da população não confia na sua
polícia.
Aqui, preliminarmente, cabe uma reflexão, para indagar se é possível em
meio a esse histórico estado de coisas que, além de corroer a
credibilidade das instituições, ameaça a própria validade dos princípios
e valores da democracia e do Estado de direito, poderia a polícia
permanecer como uma ilha de excelência e credibilidade.
Confiança e credibilidade não são atributos que se constroem com ações
de marketing ou por decreto e, nesse sentido, para a cientista política
Jaqueline Muniz, o problema da credibilidade policial no Brasil tem
raízes profundas em uma história de conflito, animosidade e preconceito,
seja das organizações policiais em relação à população, ou da população
em relação à polícia.
Embora o estudo só convalide o que o senso comum já proclamava, as suas
conclusões demonstram que na etiologia dessa descrença popular, também,
não se pode olvidar as conseqüências da ausência e/ou da deficiência do
processo de adoção de políticas públicas.
Nesse sentido, cabe ressaltar, que foram poucos os detentores de
mandatos no Poder Executivo que assumiram de maneira direta a direção
das questões relativas à segurança e à ordem pública do país, dos
estados e dos municípios. Constituindo sério motivo de preocupação a
forma como a maioria dos nossos governantes declinou de sua
responsabilidade essencial nessa matéria, deixando-as quase que
exclusivamente nas mãos dos organismos policiais.
Na maior parte dos casos, presidentes, governadores e prefeitos não
souberam ou não quiseram responder por essas matérias, fazendo com que
as polícias estaduais se constituíssem em instâncias reativas que agem
fora do tempo, ao invés de instâncias preventivas que planejem a
segurança para, deste modo, desacreditar a polícia e desfrutar do
confortável efeito vacina que impede a nós cidadãos de os vermos “em
plena nudez” da omissão.
Não é possível construir um sistema policial eficaz e eficiente no
desenvolvimento das estratégicas e táticas de prevenção, repressão,
dissuasão e investigação que não parta de uma estratégia de modernização
policial que contemple, inexoravelmente, investimentos substantivos em
capacitação profissional, alta tecnologia, melhorias salariais e
condições de trabalho, permeados por uma mudança filosófica de ação e de
concepção do que seja a segurança pública.
Não sem razão sofremos a antiga e merecida peja de que não somos um país
sério, pois, temos milhares de problemas, dos quais se destacam o
tráfico de drogas, a saúde pública, a corrupção, a falta de saneamento
básico, os transportes, a educação, etc. e, com certeza, nenhum governo
conseguirá resolver a todos, mas o que me intriga é compreender por
quais razões, no mínimo estranhas e duvidosas, sequer tentam resolver,
ao menos, um problema a cada quatro anos, o tempo que dura um governo.
Nesse sentido, sou pessimista, pois, não vislumbro a médio ou curto
prazo, uma solução para a falta de credibilidade que atinge todas as
instituições públicas brasileiras, sem que os homens e mulheres, a quem
delegamos o poder para enfrentar essas questões, entendam que são os
únicos responsáveis por esse mal. A cidadania precisa exigir que seus
representantes, deixem de se preocupar apenas com soluções cosméticas
sempre voltadas para as próximas eleições.
É por esta e por outras razões que quando se fala de credibilidade da
Polícia neste país, defendo que há que se pensar primeiro na diferença
entre acreditar na ínstituição policial e em acreditá-la. Mas, não
tenhamos ilusões, como dizia Michel Le Bris, “Deus morreu, Marx morreu e
eu mesmo não estou me sentindo bem”.
para ler outras matérias como essa, acesse o site À Queima Roupa, clicando aqui.
POR ANTONIO JORGE FERREIRA MELO
Para o site À Queima Roupa.
Portal MGR, 04 de Dezembro de 2011
Por: Gilberto Silva - Informações: Blog doToxina.
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