O atacante Ronaldo, considerado um dos principais jogadores da história do futebol e eleito três vezes o melhor do ano pela Fifa, anunciou nesta segunda-feira, em entrevista coletiva no Centro de Treinamento Joaquim Grava, do Corinthians, a sua aposentadoria do futebol.

A informação do encerramento da carreira de Ronaldo, após 18 anos de carreira profissional, foi divulgada em primeira mão pelo jornal O Estado de S. Paulo, no domingo. 'Eu queria continuar, mas não consigo. Penso uma jogada, mas não executo como quero. Tá na hora. Mas foi lindo pra caramba', afirmou, no domingo, o atacante de 34 anos.

Nesta segunda, emocionado e sentado ao lado dos filhos Ronaldo e Alex e do presidente corintiano Andrés Sanchez, ele ratificou a informação. Respirando fundo, ele demorou a começar o seu pronunciamento. 'Boa tarde a todos. Como vocês devem imaginar, como ouviram falar no final de semana, eu estou aqui hoje para... (hesitando) falar que estou encerrando a minha carreira como jogador profissional e dizer que essa carreira foi linda, foi maravilhosa, emocionante. Tive muitas derrotas, infinitas vitórias, fiz muitos amigos, não lembro de ter feito nenhum inimigo e, enfim, estou antecipando o fim da minha carreira por alguns motivos importantes', disse Ronaldo, confirmando a sua aposentadoria.

Em seguida, Ronaldo enumerou os motivos para a sua decisão. 'Todos sabem aqui do meu histórico de lesões. Tenho tido nos últimos dois anos uma sequência muito grande de lesões, que vão de um lado para o outro, de uma perna para outra, de um músculo pra outro e essas dores me fizeram antecipar o fim da minha carreira. Há quatro anos, no Milan, eu descobri que sofria de um distúrbio que se chama hipertireoidismo, um distúrbio que desacelera o metabolismo, e que para eu controlar esse distúrbio teria que tomar uns hormônios que não são permitidos no futebol, que seria um doping. Muitos aqui ficarão arrependidos de terem feito tanta chacota com o meu peso, mas não guardo mágoa de ninguém e só quero explicar isso no último dia da minha carreira', reforçou o Fenômeno, lembrando que a sua condição física não permitia a ele jogar futebol de forma competitiva como no passado que o consagrou.

O contrato de Ronaldo com o Corinthians iria até o final de 2011, quando ele pretendia parar, mas a eliminação precoce na Libertadores, o protesto dos torcedores, as dores musculares e os problemas físicos o levaram a antecipar a aposentadoria prevista para o término da temporada. O jogador realizou nove cirurgias e sofreu com inúmeras lesões na sua carreira.

Ronaldo teve carreira brilhante tanto no futebol brasileiro, com passagens por Cruzeiro e Corinthians, como na Europa, onde atuou pelos rivais espanhóis Real Madrid e Barcelona e também na Itália, onde defendeu Inter de Milão e Milan. Na seleção brasileira, conquistou dois títulos da Copa do Mundo - 1994 e 2002 - e se consagrou como o maior artilheiro da história da competição, com 15 gols.

Ronaldo, porém, encerra a sua carreira após ser alvo de protestos da torcida do Corinthians, que o apontou como principal responsável pela eliminação da equipe na fase preliminar da Libertadores. A derrota por 2 a 0 para o Deportes Tolima, na Colômbia, no dia 2 de fevereiro, foi a última partida oficial do atacante, que marcou o seu último gol no triunfo do Corinthians por 1 a 0 sobre o Cruzeiro, em 13 de novembro de 2010.

Até a hora do anúncio oficial, o Fenômeno ficou nas dependências internas do CT se despedindo de funcionários e outros colegas. A cada adeus, a emoção tomava conta do jogador.

Ao explicar os motivos por ter antecipado o seu adeus, Ronaldo justificou usando dois fatores: o hipotireoidismo e as constantes dores.

- Todos sabem do meu histórico de lesões. Tenho tido, nos últimos anos, uma sequência de lesões que vão de um lado para o outro, de uma perna para a outra, de um músculo para o outro. Essas dores me fizeram antecipar o fim da minha carreira. Além disso, há quatro anos eu descobri, quando estava no Milan, que sofria de hipotireoidismo. É um distúrbio que desacelera o metabolismo e que, para controlá-lo, é necessário tomar alguns hormônios proibidos no futebol, por poder acusar doping. Imagino que muitos devam estar arrependidos por terem feito chacota sobre o meu peso, mas eu não guardo mágoa de ninguém.

O pronunciamento, que durou 45 minutos, foi recheado de emoção. Por diversas vezes, o craque precisou parar de falar para se concentrar e segurar as lágrimas. Várias partes do seu discurso foram pausadas, com interrupções para que pudesse respirar mais fundo. Num papel ele trazia algumas palavras que ensaiou em casa na noite passada, mas teve muita dificuldade em seguir o script. Ronaldo não conseguiu... e chorou.

"lágrimas, daquele que foi e tenho certeza que continuará sendo o inesquecível fenômeno que conhecemos, campeão do mundo em 2002 com a seleção brasileira, três vezes eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA, dentre outras conquistas. Hoje Ronaldo deixou o futebol como jogador, mas sua lembrança ficará para sempre guardada nas nossas memórias" (Heverton Costa)

Portal MGR, 14 de fevereiro de 2010

Por: Heverton Costa - Informações: msn.com